quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mais Curiosidades

Olá, amigo!

Como prometi semana passada, colocarei aqui uma pequena relíquia (pelo menos para mim) proveniente de um tempo em que ainda não acreditava muito no caminho da literatura.

Estava, naquele tempo, fazendo faculdade e pensava, obviamente, em exercer a profissão que o curso ministrava. Lembro-me que até havia procurado um curso de mestrado, que dois grandes amigos estavam fazendo na época, para me candidatar. Entre dar os arremates de final de curso e me estressar com provas difíceis de admissão, num belo dia, resolvi ver se era possível escrever algo que tivesse semelhança com uma história romanceada. Confesso que naqueles tempos eu já nutria uma vontade de ser escritor, mas não sabia ao certo que tipo de escritor eu seria. Não sabia se escreveria sobre a existência humana, se contaria histórias fantásticas, se retrataria o cotidiano em uma grande cidade, se romancearia a História de algum lugar, etc. Só sabia que, lá bem no fundo, eu queria escrever. A questão era se realmente gostava de fazê-lo ou se seria apenas uma pequena vaidade intelectual? Como não costumo ser vaidoso em muitos aspectos, procurei retirar de minha linha de pensamento qualquer preconceito em relação ao ato de escrever, tentando perceber as pequenas sutilezas da boa literatura. E, na época, havia ouvido uma frase interessante que mais ou menos dizia assim: só se sabe escrever, escrevendo. Entendi o óbvio daquela frase e comecei a pensar em treinar um pouco. Alternando falta de tempo e insegurança, adiava o momento de escrever alguma coisa fora da rotina. Contudo, no momento menos esperado, tive um relâmpago de idéias em minha mente. Sentei em frente ao computador e comecei sem compromisso nenhum a escrever minha primeira tentativa de uma história qualquer. Acho que ela ficou a desejar em relação a sua qualidade, mas digo com convicção que se não fosse por ela, talvez a vontade de ser escritor diminuísse até virar apenas mais uma frustração de algo nunca tentado.

Então, sem mais delongas, apresento a vocês mais uma história incompleta, escrita entre 2003 e 2004 (não lembro ao certo), sem revisão ou preparação, que chamei na época de O Combate. Leiam (se não se irritarem com a falta de qualidade, os erros e a falta de sentido em muitos aspectos do escrito) e comentem depois aqui no blog.




Obs: Alguns elementos do texto eu utilizei a nomenclatura X, para num futuro, que nunca virá na verdade, serem substituídas por nomes elaborados.



O Combate:

Escrito por Andrés Carreiro Fumega (entre 2003 e 2004).



Conseguir um combate, a princípio não parecia fácil naquele cárcere estrangeiro. Mas como havia observado no longo período de prisão, consegui-lo não seria algo muito complexo. Bastaria provocar um dos guardiões responsáveis pelo calabouço e tudo estaria armado. “Basta saber quando isto pode ser feito”, pensava Lobo Negro. Observou que de tempos em tempos havia um vazio no pátio interno, vista esta que tinha de seu cárcere, e descobriu um certo padrão de tempo. Alguns prisioneiros desapareciam, e o boato sobre combates armados pelos guardiões era corrente entre os prisioneiros restantes. Calculou o próximo esvaziamento da fortaleza e verificou que a noite seria perfeita, escura como pedia seus planos. A briga com um dos guardiões também foi simples e assim, segundo palavras dos guardiões, “pagaria com a vida esta sua insolência”. O dia da luta tinha chegado com certa velocidade e precisão como calculara Lobo Negro. No final de tudo, como o treinamento de cavaleiro X. havia propiciado, a observação informou-lhe exatamente o hábito e costume daquela fortaleza. Havia a opção, antes das lutas, de trazer aos combatentes uma arma de sua preferência. Lobo Negro não vacilou e pediu sua espada, apreendida no cerco em que foi capturado. No início da tarde, um dos carcereiros trouxe-lhe o tão esperado objeto.

- Treine o quanto puder, estrangeiro infeliz, pois lavaremos com sangue a ofensa que fizeste – dizia um guardião gordo e de olhos inflamados, provavelmente por algum tipo de entorpecente – Pena que não terás tempo de ser doutrinado como deveria, pois tu serás alimento para a espada de nosso campeão.

Finalmente tinha em suas mãos a velha espada de seus ancestrais. O período afastado dela trouxe-lhe a sensação de mutilação. Anos e anos combatendo fizeram com que este objeto de guerra tornasse-se uma extensão de seu corpo. Sua presença, principalmente neste momento, era imprescindível, pois o combate que o tiraria deste cárcere estava próximo. Com cuidado, Lobo Negro verificava o gume. Sempre cuidara dela com esmero, pois além de ter uma história paralela com a de sua família, sabia que tempos como aquele não permitiam descuidos com sua arma. Afinal uma espada cega poderia significar a morte para um guerreiro mal treinado e despreocupado com detalhes assim. Lentamente o fio era cuidadosamente alinhado com o formato original, destruindo qualquer seqüela de combates antigos. Uma vez terminado o serviço, parou para refletir sobre o passado de paz, em que suas únicas preocupações eram a filosofia e o treinamento necessários a um Cavaleiro X. “Bons tempos aqueles!”, pensava Lobo Negro encostado na fria e espessa parede de pedras em seu calabouço. Acabou adormecendo. Anos de caos o forjaram de uma forma diferente de qualquer outro ser deste mundo. Sua calma e confiança eram tamanhas, possuindo a capacidade de adormecer em momentos antecedentes a decisões importantes em sua vida, pois afinal, iniciado um combate, não saberia quando o momento de descanso estaria disponível novamente em sua vida guerreira.

Passado um tempo imensurável, Lobo Negro acordou com o estrondoso som das cornetas. Sabia que este som representava o início de sua jornada rumo à liberdade e a volta para casa, onde poderia voltar a exercer suas funções como comandante de suas tropas X.. Seus planos estavam saindo como o planejado. Sabia que estes combates eram proibidos pelo comando da fortaleza e a quantidade de guardas era bastante reduzida em eventos secretos como aquele. Duas estações no cárcere haviam colocado Lobo Negro a par da rotina da fortaleza. Como esta fortaleza é fronteiriça, o comando junto com a maioria dos soldados retiravam-se de tempos em tempos para troca de guarda e comando. Só um pequeno grupo estava fixo, nomeados como guardiões da fortaleza e de sua manutenção. Os anos de isolamento os fez fanáticos por jogos violentos, em que colocavam seus prisioneiros em combates mortais. As trocas de guarda sempre são esperadas, como a um festejo, por estes guardiões, pois aí sim sua diversão tradicional e sádica começaria. A noite apresentava-se sombria àquela noite, perfeita para sua fuga. Nenhum raio de luar apresentava-se neste dia. Seus cálculos astronômicos estavam certos. Não haveria lua cheia neste dia tão esperado.

Um barulho característico do mecanismo de uma fechadura ouviu-se junto com os agudos destorcidos das dobradiças antigas na entrada do calabouço. Os guardiões vieram buscá-lo. Lobo Negro segurou firme a empunhadura de sua espada, enquanto era conduzido para uma arena improvisada fora dos muros da fortaleza. Ao chegar, a situação apresentava-se mais favorável do que imaginara. Os soldados fixos, mediante anos de ócio e dependência dos bem treinados guardas do Norte, estavam em numero não maior que quinze e não demonstravam o preparo de um típico guerreiro daqueles conturbados tempos. O único que talvez preocupasse Lobo Negro seria seu adversário, um gigante em comparação aos demais e inclusive para os padrões do povo a que Lobo Negro pertencia. Claro que como este, muitos outros foram vencidos com facilidade. Sabia que o tamanho, para um Cavaleiro X. não importava. “Um homem é sempre um homem, e quando uma luta é justa o inimigo aparentemente invencível pode ser vencido”, pensava Lobo Negro em um de seus ensinamentos ainda aprendidos em tenra idade. Apesar de um número reduzido, os guardiões faziam um barulho ensurdecedor com seus gritos e instrumentos musicais, soando um ritmo surdo e funesto, provocando em Lobo Negro uma sensação de repulsa.

Conduzido e apresentado ao seu adversário, o espetáculo horrendo teve início. Como era característico da cultura pacifista e diplomática da Ordem dos Cavaleiros X., Lobo Negro, por convicção, disse ao seu adversário:

- Apresente-se com honra e desista deste combate companheiro de desgraça, afinal não há vergonha em querer a paz – curvava-se Lobo Negro em sinal de respeito.

Com um olhar irônico o gigante gargalhou com artificialidade e disse com sua voz rouca, porém com uma dicção perfeita e em volume audível a pelo menos duzentos metros:

- Não diga sandices criatura repugnante. Sua morte dará um espetáculo agradável aos guardiões desta fortaleza. Um estrangeiro como você não dita ordens aqui! – exclamava o guerreiro adversário de Lobo Negro.

Não havia outra solução a não ser lutar, mas mesmo assim o código dos cavaleiros não permite o ataque direto a não ser que o adversário o faça. Assim a morte deste seria justa, como um ato de defesa. Mesmo respeitando o código, Lobo Negro sabia do risco que o ato de defesa produzia a um guerreiro, deixando que seus movimentos fossem previstos pelo adversário. A reversão desta condição teria que ser feita após o primeiro golpe aplicado, fazendo com que o ataque passasse a ser seu.

Os olhos de ambos não desgrudavam um dos outros. Suas íris estavam como que comandadas por telepatia uma pela outra. Havia uma cadência de passos, seguindo uma pista circular imaginária em que cada adversário encontrava-se em um estremo. O diâmetro entre ambos diminuía conforme os estudos dos movimentos prosseguiam. O gigante, como era esperado por Lobo Negro desferiu o primeiro golpe. Momentos antes deste primeiro golpe, Lobo Negro conseguiu determiná-lo antes e conseguiu conseqüentemente se defender. A decisão foi rápida. Assim que sua espada defendera um golpe mortal que racharia seu crânio em dois caso tivesse êxito, Lobo Negro projetou-se para trás, não mais que à distância de um passo e com uma velocidade quase impossível de ser detectada por olhos humanos, desferiu um golpe na linha de cintura do gigante. Este percebeu e por pouco não o defende. Mas já era tarde, pois Lobo Negro tinha neste momento o controle do combate. Fazendo um giro completo, passando sobre sua cabeça, o golpe seguinte foi dado com tanta velocidade e força por Lobo Negro, que a defesa do gigante foi insuficiente para este se manter de pé. Os guardiões vibravam, incentivando o gigante a reagir. Lobo Negro saltou uma distância considerável mantendo-se ainda sobre o olhar do gigante. Como um animal enfurecido e estimulado por sua sedenta platéia, o gigante correu como nunca na direção de Lobo Negro. Este manteve a calma até que o momento fosse oportuno e o golpe derradeiro fosse transmitido por sua espada. Aquela massa humana foi de encontro a Lobo Negro usando sua espada como uma lança, mas este, milésimos de segundos antes, colocou-se centímetros deslocado do ponto pretendido pelo seu adversário. Quando a espada do gigante atingiu o ar, Lobo Negro estocou suas costelas como se matasse um porco. Olhares mais uma vez encontraram-se. Enquanto a espada de Lobo Negro penetrava a carne do gigante, o tempo parecia estacionado para ambos. O sangue quente e viscoso escorria pela empulhadura da espada, tornado o contado de Lobo Negro muito mais profundo com seu adversário. Um pensamento de pesar passou por seus pensamentos, afinal lamentava que algo deste tipo tivesse que acontecer nestes terríveis tempos. A respiração do gigante foi diminuindo até que este aos poucos repousasse no chão deformado, profanado e molhado por seu sangue. Lobo Negro puxou a espada, agora com uma cor rubra contrastando com um tom metálico acinzentado, a marca característica dos assassinos, e correu em direção a sua liberdade.

Gritos eram ouvidos entre o público formado por guardiões. Aqueles gritos eram diferentes dos anteriores, não mais representando a diversão anteriormente expressada. Agora a confusão estava posta. Os embriagados guardiões foram em direção a Lobo Negro, conseqüentemente retardando por alguns momentos sua fuga. Lobo Negro esperou calmamente o ataque dos primeiros, como regia seu código de honra. Dois guardiões foram em sua direção, empunhando tridentes meticulosamente apontados na direção do coração de Lobo Negro. Lobo Negro esperou o momento certo do ataque, saltou sobre seus adversários inclinado-se lateralmente e projetando um golpe certeiro nos desprotegidos crânios de seus algozes. Apenas um golpe foi necessário para que ambos caíssem mortos, com seus cérebros expostos ao ar. Com a demonstração de habilidade, muitos dos guardiões recuaram, deixando seus instintos de sobrevivência falassem mais altos em suas mentes. Apenas mais três apresentaram-se ao combate. A situação não foi diferente dos seus companheiros anteriores. Cabeças cortadas, braços decepados e muito sangue de guardião foi derramado naqueles instantes finais. O medo assombrava a mente dos que sobraram, pois afinal, justificar a perda de um prisioneiro de guerra era mais fácil e menos custosos que morrerem nas mãos de um assassino profissional, como àquele estrangeiro havia se apresentado. Correram todos para a entrada lateral da fortaleza e ali mantiveram seus preciosos pescoços intactos. Lobo Negro percebeu a oportunidade única apresentada a si. Não perdeu tempo. Observou as estrelas determinando a direção de seu lar. Sul é a posição determinada. Em seu caminho uma floresta estava, pensou duas vezes antes de seguir caminho desconhecido, mas o tempo disponível não permitia grandes reflexões. Primeiro se embrenharia na sombria floresta, depois pensaria que posição tomar, obviamente quando o caminho apresentar-se seguro. Correu como nunca, até encontrar uma árvore onde pudesse subir e descansar.

A manhã seguinte passou como um raio. O sol escondeu-se rapidamente, pelo menos na desgastada mente de Lobo Negro De repente seus instintos guerreiro despertaram com uma velocidade espantosa. O odor característico do mar penetrava em suas narinas. O vento vinha do Leste como Lobo Negro observou mediante sua bússola natural, as estrelas. Não deveria estar longe do mar e de algum porto que o levasse para casa. Assim também saberia onde exatamente estava e quanto tempo viajaria até chegar ao seu destino, sua casa e sua gente.



4 comentários:

Italo _correa disse...

Tá ótimo Andres!
Bem que poderia ter uma continuação,mas ele foi pra casa e vai ficar tudo bem. rsrsr
Eu dou muito valor em histórias épicas,com combates, guerreiros e tal.
Achei muito interessante uma frase do texto que diz assim: “Um homem é sempre um homem, e quando uma luta é justa o inimigo aparentemente invencível pode ser vencido”. Ótima frase.
Parabéns de novo!!
Abraços.

Andres Carreiro Fumega disse...

Olá, Ítalo.

Obrigado pelo comentário. Pode deixar que no devido tempo, contactarei mais parceiros. Só estou esperando as datas se confirmarem para poder fazer mais parcerias.

Sobre a literatura épica, também gosto muito. Quando eu acabar a trilogia da Essência do Dragão, vou me aventurar num mundo épico. Vamos ver o que o futuro nos trará!

Abração.

Aliss0n disse...

mas desde criança já escrevia bem que é uma beleza hauhauhauuahuauha...

poxa andrés.. muito bom os textos, e o layout ficou excelente tbm heim?

reitero o que o italo falou.. quero autografado... espero que venha pro RS neh? hehe :) abraços

Andres Carreiro Fumega disse...

Hahahahaha! Quem dera que naquela época eu fosse criança!

Abração!