sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Resenha O Voo de Icarus

Olá, amigos.

Semana passada, no Site Sobre Livros, foi publicada na seção Resenha do Escritor, uma resenha de um livro que me surpreendeu pela qualidade e excelência. O livro se chama O Voo de Icarus, do Estevan Lutz. Disponibilizarei aqui a resenha que foi publicada no Sobre Livros para aqueles que ainda não leram. Recomendo o livro...

LUTZ, Estevan.
O Voo de Icarus: Até onde nossa mente pode nos levar.
Osasco/SP: Novo Século, 2010.

A história é narrada por seu protagonista, Icarus, um jovem que trabalha numa companhia de tecnologia de informação conhecida como Holocorp. Nosso herói é viciado em realidade virtual e em uma droga moderna chamada nirvana. Num ambiente futurista, vivendo numa cidade ilha (artificial), no Golfo Pérsico, chamada Agartha, Icarus convive com os problemas de seu tempo. Em busca de ajuda para seus vícios, procura tratamento médico e acaba usando um remédio experimental chamado Sinaptek, droga esta à base de nanotecnologia. A história nos conduzirá a “nova vida” que o recente tratamento de Icarus desencadeará.

Não tenho palavras suficientes para expressar a grande surpresa que foi ler O Voo de Icarus. Estou maravilhado com a história escrita por Estevan Lutz. A narrativa nos conduz a uma visão futurista do mundo extremamente tangível. Como se fosse um Julio Verne moderno, Lutz nos apresenta o futuro, que só dependerá do próprio tempo para confirmá-lo verdadeiro. A impressão que temos é que o autor “viajou no tempo” e presenciou este momento cronológico, com todas as suas características, e transmitiu o relato ao livro com riqueza de detalhes. Contudo, os detalhes são diluídos durante o desenrolar da história, não a transformando em momento algum em algo desagradável.

Outro ponto a se destacar é a habilidade do autor em escrever. O livro tem o equilíbrio perfeito de um português elegante com o dinamismo que a história exige. A estrutura da narrativa alia simplicidade e elegância. Todavia, Lutz não foge das palavras. Em momentos chaves, expressões técnicas aparecem para aumentar a sensação de verossimilhança daquele universo futurista. Algo raro hoje em dia.

O homem e seus desafios. Acredito que neste livro, um dos temas seja este. Conforme a humanidade continua sua jornada, novos desafios aparecem diante dela. Uma parte assimila a nova realidade, como se esta sempre tivesse existido, e outros acabam sofrendo com isso. Icarus, apesar de ser um jovem relativamente bem sucedido, encaixa-se exatamente nesta problemática universal. Sua vida e seus objetivos o levaram a adquirir vícios (drogas) e problemas não existentes no passado (abstinência da realidade virtual). Isto cada vez mais tem sido observado nos dias de hoje. Os chamamos de problemas modernos. Obesidade, bulimia, drogas sintéticas, fobias, etc. nos cercam e muitas destas “epidemias” não existiam há 100 anos. É muito interessante criar uma visão de futuro e imaginar aquilo que tem se tornado universal em relação à humanidade, ou seja, sua dificuldade em se adaptar ao que é auto-imposto, e suas fugas que por sua vez geram problemas indesejáveis que podem levar esta mesma sociedade ao colapso. Como na mitologia grega, o filho de Dédalo, também chamado Ícaro, não mantém o equilíbrio avisado por seu pai em relação ao uso das asas de cera e penas, utilizadas na fuga de Creta. Com este desequilíbrio, a história mitológica acaba com a queda ao mar de Ícaro, dando fim ao objetivo primário (fugir) e de sua própria vida.

Todo um universo da ficção científica está homenageado em O Voo de Icarus. Entretanto, a visão de futuro apresentada na história foge do que é comum muitas vezes nas narrativas de ficção científica. Em vez de termos um futuro decadente, como na literatura Cyber Punk ou no cinema (Blade Runner), temos uma visão mais positiva, com a humanidade seguindo sua trajetória técnico-científica, em desenvolvimento constante. Este futuro, vale salientar, cheio de tecnologia baseada na informação e realidades virtuais nos remete a uma homenagem feita a neuromancer/matrix. Os espíritos de Isaac Asimov, Philip K. Dick, Aldous Huxley, Anthony Burgess, George Orwell, entre outros, também nos assombram, levemente, durante a narrativa. Mas não pense o leitor que é apenas mais uma história de ficção científica recortada destes autores. Estevan Lutz dá vários passos à frente, construindo uma ótima, nova e surpreendente história.

O Voo de Icarus, e falo isto sem pestanejar, já nasceu um clássico. E o melhor disto é que foi concebido por um brasileiro contemporâneo nosso. Não há dúvida em relação à qualidade da obra e Estevan Lutz demonstra um potencial gigantesco como escritor. Tornei-me fã incondicional de seu trabalho e aguardo ansioso por suas futuras obras. Dificilmente dou nota máxima a um livro, principalmente quando não tenho referências de outros trabalhos, mas não tive como dar menos que o máximo a este brilhante texto. É perfeito e se melhorar, como diz o jargão, estraga. Recomendo a qualquer um o embarque neste “voo”. Boa viagem!

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